Duro na queda!

Após hiato de 12 anos, quando estreou "Duro de Matar 3", Bruce Willis volta às telas como o detetive John McClane no filme "Duro de Matar 4.0" ("Live Free or Die Hard"). A primeira parte da franquia, de 1988, foi dirigida por John McTiernan, também responsável pela terceira. Já a segunda ficou a cargo de Renny Harlin, em 1990. Desta vez, a responsabilidade fica sob a batuta do quase estreante Len Wiseman, que praticamente começou no cinema respondendo pelo departamento de arte de filmes como "Indepenence Day", "MIB - Homens de Preto".

Nesta seqüência, que estréia dia 3, seu trabalho é executado com competência, na medida que se trata de um filme de ação, com muito barulho e movimento. É o tipo de longa-metragem cuja ação não pára e ao mesmo tempo dá um chacoalhão no espectador, dizendo: "Isso não é real, trata-se apenas de um filme". Carros voando, gente despencando de enormes alturas e resistindo, avião planando como se fosse helicóptero, explosões. Todas as cenas estão lá, como diz o padrão.

Wiseman aponta suas lentes para uma história contemporânea, pois fala sobre o ataque aos computadores dos Estados Unidos. No feriado de Independência daquele país, McClane está em Nova York "dando uma de pai", quando vê sua filha Lucy (Mary Elizabeth Winstead), já universitária, se agarrando com um rapaz dentro do carro. No entanto, ele recebe um chamado dizendo que precisa ir a Camden buscar um jovem hacker, Matt Farrell (Justin Long), e levá-lo até o FBI.

Como era de se esperar, os dois estão no lugar errado, na hora errada, pois Farrell está sendo perseguindo por um concorrente, o terrível Thomas Gabriel (Tymothy Olyphant), que conta com a ajuda de uma grande equipe, incluindo a sedutora Mai (Maggie Q), para transferir dinheiro do governo para a sua conta corrente.

Embora o roteiro seja confuso, já que fala de tecnologia, vírus e antraz, os personagens vão resolvendo os problemas com os diálogos, mesmo que as conversas terminem em: "Não sei como aprendi a usar este aparelho". Bruce Willis volta ao papel à vontade e em boa forma. Um dos pontos altos, além das cenas de ação bem-feitas (apesar da inverossimilhança), é o bom humor do roteiro, principalmente as piadas e as ironias vindas de McClane. Se a intenção do filme é privilegiar a movimentação, as explosões sem-fim, e no final mostrar o mocinho todo estrupiado, sangrando, com apenas um Band-Aid no nariz, sim, a missão foi cumprida. Este realmente é duro de matar. E de morrer.

Arca de Noé do século 21

Sabe aquela comédia típica que passa na sessão da tarde, que pede que seja vista acompanhada por um balde de pipoca, bom humor e sem precisar se esforçar para prestar atenção? Assim é o longa-metragem "A Volta do Todo Poderoso" ("Evan Almighty"), que estréia nesta sexta-feira, dia 3 de agosto, nos cinemas.
A fita é continuação de "Todo Poderoso", lançado em 2003 e estrelado por Jim Carrey. Neste filme, é a vez de Evan Baxter (Steve Carell), o rival de Carrey no outro longa, receber a aparição divina, vivida novamente (e brilhantemente) por Morgan Freeman, e saber que tudo o que precisa é deixar de ir ao congresso, onde foi eleito, e construir uma enorme arca (sim, o mesmo princípio de Noé).

Ao assumir o novo cargo, o ex-apresentador de televisão vive o sonho americano, quando muda com sua família para uma enorme casa (e só precisa decidir qual a madeira de seus armários da cozinha), dirige um carro moderno e pode oferecer mais conforto à sua família, mesmo que isso signifique menos tempo com ela. Porém, quando Deus o visita, tudo pode mudar. Até que ele seja convencido da missão, animais o visitarão, sempre aos pares, e o convencerão de que é necessário realmente colocar a mão na massa.

Além de receber de Deus o livro "Ark Building for Dummies" (algo do tipo "Como Construir uma Arca"), Baxter vai contar também com a ajuda dos animais, de seus três filhos (o caçula é o que mais sabe sobre a vida animal, pois aprende tudo assistindo ao canal "Animal Planet") e também da sua esposa (Lauren Graham).

À contragosto do congresso, fortemente representado por Long (John Goodman) e também por seus assistentes, Rita (Wanda Sykes) e Eugene (Jonah Hill), ele vai continuar no trabalho e provar sua sanidade.

Novamente dirigido por Tom Shadyac, o longa tem Tom Hanks entre os produtores executivos. O bom humor do roteiro e as piadas, principalmente as protagonizadas por Carell, já valem o ingresso. A superprodução, que conta com efeitos especiais bem-feitos, contribui principalmente para o aumento do tamanho da arca, efeito conseguido digitalmente, e da onda responsável pelo dilúvio. O treinamento dado aos animais também merece respeito."A Volta do Todo Poderoso" tem a pretensão apenas de fazer o público se divertir quando vai ao cinema. E isso é realmente possível.

O moço e o mar

Filme nacional é sempre uma surpresa para o público. Nunca se sabe o que vem pela frente. A maioria deles, salvo algumas exceções, tem a recompensa na bilheteria por conta do elenco, quase sempre vindo da televisão. Quem não tem o chamado “star system”, conta apenas com a boa história, produção e direção.
Inspirado em romance homônimo escrito pelo ex-presidente José Sarney (membro da Academia Brasileira de Letras), “O Dono do Mar” chega aos cinemas com roteiro escrito por Frank Dawe e Fábio Gomes, e direção de Odorico Mendes, que se especializou em propagandas.

A fita conta a história de Antão Cristório (Jackyson Costa em excelente forma física), pescador criado no Maranhão, que, quando perde o filho Jerumenho (Sérgio Marone), assassinado pela faca de um marido traído, muda os seus hábitos e começa a procurar o autor do crime.



A partir de então, o longa volta no tempo e conta desde a infância do pescador, desde quando se apaixonou por Quertide (Samara Felippo), se casou com Camborina (Daniela Escobar), se deitou com a cunhada Germana (Regiane Alves), passando pelas noites de amor com a prostituta conhecida como Maria das Águas (Isadora Ribeiro). Sem contar a rezadeira dona Geminiana (Pepita Rodrigues), que ajuda o rapaz a conquistar a noiva.
Com abuso de travellings, Odorico aponta suas lentes para o que o litoral maranhense tem de mais espetacular, mas peca quando conta histórias do Além, quando abusa de recursos que não domina e constrange o espectador com a história risível. O elenco feminino, na sua maioria composto por belas moças, serve de muleta para conquistar. “O Dono do Mar” esperou cerca de 10 anos, conforme disse o diretor, para sair do papel. Poderia ter esperado mais tempo.

Candy

"A vida dos drogados é meio confusa." Com esta frase, o filme explica boa parte da história. E é para o meio desta confusão, com tudo girando, que o espectador é convidado a participar.

Candy é uma jovem pintora (Abbie Cornish) que busca oportunidades e se perde na vida ao lado do poeta Dan (Heath Ledger). Os dois são viciados em heroína, e vão morar juntos. Esses dois personagens baseados no livro australiano de Luke Davies que, ao lado do diretor Neil Armfield, também assina o roteiro, são muito diferentes dos padrões. Eles vivem atrás das drogas e, para consegui-las, vale tudo: roubo, prostituição.

Aliás, a história é contada em três atos: paraíso, terra e inferno. Com a premissa de querer ficar junto na alegria e na tristeza, o longa se desenvolve bem, é maduro, com roteiro consistente. O filme tem uma história bonita, na medida em que fala de amor e companheirismo, mas para um público com a mente mais aberta.

Vênus

Um dos focos do longa-metragem é o choque da diferença de idade entre os dois personagens centrais do drama inglês. Ambientado em Londres, o filme mostra imagens da cidade como pano de fundo para contar a história da jovem Jessie (Jodie Whittaker), que chegou do interior para tentar carreira de modelo. Durante sua estada na cidade, ela vai morar com o tio-avô Ian (Leslie Phillips). Seu amigo Maurice (Peter O'Toole), outro ator veterano que faz pontas em programas da televisão, tem mais paciência com a moça e a leva para conhecer a cidade e tenta conseguir para ela um emprego como modelo.

Com cenas cuidadosamente dirigidas por Roger Michell, o longa apresenta cenas sensuais, provocativas, mas sem apelações. A trilha sonora, que intercala canções pop e clássica, também é uma forte contribuição para a separação e a marcação dos personagens e seus estilos de vida. "Vênus" é um filme provocante, malicioso, mas ao mesmo tempo delicado, que trata principalmente sobre a passagem do tempo, a sabedoria, a amizade e o amor.

Um Beijo a Mais

Inspirado na fita italiana “L’Ultimo Bacio”, escrito por Gabriele Muccino, o filme tem foco na vida de Michael (Zach Braff), que namora Jenna (Jacinda Barrett). Mesmo antes de casar, ela engravida e os dois vão morar juntos.

Aos 29 anos, ele se sente acuado quando vê que a sua vida está tomando rumos mais adultos, de maneira que toda a rotina deverá ser mudada. Então, ele conhece Kim (Rachel Bilson), uma moça linda, jovem, cheia de amor. Neste momento, o rapaz percebe o destino e pensa duas vezes sobre as atitudes que deve tomar.

Com roteiro assinado por Paul Haggis, a direção está sob a batuta de Tony Goldwyn. Além de atitudes da vida adulta e a crise dos 30 anos, o longa fala também de amor, fidelidade e, acredite, perdão. Os atores que interpretam no longa têm também cerca de 30 anos, conferindo à ficção um pouco de realidade. Na fita, então, é possível se identificar, principalmente quando se fala na crise, na transição, na responsabilidade que chega nesta idade. Sem dúvida, uma lição de casa para se refletir sobre a vida adulta.

Campanha sem sucesso

Depois de recontarem muito bem a história do jazzista Ray Charles, no filme "Ray", com Jamie Foxx no papel-título, por exemplo, agora é a vez de o ex-senador dos Estados Unidos, e candidato à presidência daquele país, Robert F. Kennedy, ter parte de sua vida exposta na tela grande. Em junho de 1968, no meio da Guerra do Vietnã, seu mote de governo era acabar com o combate em prol da paz. O longa-metragem "Bobby", que estréia sexta-feira, dia 27 de julho, conta justamente suas propostas de governo, desde a campanha até as eleições, passando pela noite em que ele foi baleado.
Com roteiro e direção sob a batuta de Emilio Estevez ("Lembranças Vivas"), a fita utiliza-se de uma experiência bastante interessante, quando se propõe a contar a história de uma personalidade no cinema por intermédio da vida de outras pessoas que fizeram parte dela, sejam esses personagens fictícios ou não. O elenco de primeira linha contribui justamente para este sucesso. Assim, as imagens vão mostrar a rotina do Hotel Ambassador e contar a história de 22 personagens que, de alguma maneira, contribuíram para a campanha de Bobby.
Entre os personagens, o porteiro aposentado do hotel (Anthony Hopkins), que joga xadrez como ninguém e conta sobre quais personalidades ele pôde servir e que se hospedaram no Ambassador. Também o atual gerente, Paul Ebbers (William H. Macy), casado com a cabeleireira Miriam (Sharon Stone), que mantém um caso extraconjugal.

O núcleo mais descontraído do hotel talvez seja o formado pelo chefe dos cozinheiros, o arrogante Timmons (Christian Slater), e o experiente chef de cozinha Edward Robinson (Laurence Fishburne), que utiliza de sua sabedoria para agradar quem trabalha com ele, como o mexicano Jose (Freddy Rodriguez), que estava louco para ir ver o jogo dos Dodgers, mas teve de fazer turno dobrado, e Miguel (Jacob Vargas).

Além dos funcionários do hotel, também participam da história alguns hóspedes, como a cantora Virginia Fallon (Demi Moore, ótima como uma alcoólatra), a jovem noiva (Lindsay Lohan), que irá se casar com um rapaz (Elijah Wood) para evitar que ele vá para o Vietnã, e um socialite deprimido (Martin Sheen) e sua esposa (Helen Hunt), que não pára de falar em sapatos. Para dar boas risadas, as trapalhadas dos jovens voluntários Jimmy e Cooper (Brian Geraghty e Shia Lebeouf), que vêem suas vidas mudarem com o uso do LSD.

Estevez, que também tem um papel na fita, intercalou sabiamente as imagens fictícias com originais da época, principalmente com cenas do ex-senador na ativa. Seus pronunciamentos também foram utilizados em forma de narrações em off, um recurso bastante utilizado no cinema, embora seja excessivamente cansativo. Nesta produção, porém, o uso se justifica, principalmente por fazer sentido no caso de agregar informações da época quase 40 anos depois. Destaque também para a reconstrução do ambiente, como figurino e mobiliário do período.
Todos os personagens, embora sejam muitos, são bem-construídos e de certo modo envolvem o espectador do início ao fim, que torce para que cada um tenha destinos positivos.
Talvez a grande lição do filme seja conhecer as propostas que Robert Keneddy não tenha tido tempo de colocar em prática. Um exemplo, mesmo que utópico, para os governantes (para não se falar apenas de um) que só pensam em ganância e guerra.

Scoop – O Grande Furo

A parceria de Woody Allen com a atriz Scarlett Johansson e também com a Inglaterra como cenário teve início com o “Ponto Final - Match Point”. Desta vez, além de ele ter um papel no longa, trabalha também Hugh Jackman. Nesta trama, Allen, autor do roteiro, conta a história de um jornalista falecido, Joe Strombel (Ian McShane), que mesmo morto continua procurando pistas para encontrar o serial killer que está solto. Para isso, ele conta com a ajuda da estudante de jornalismo Sondra Pransky (Scarlett), que vai participar de um número de mágica apresentado por Sid Waterman (Woody Allen) e recebe mensagens do além. O longa diverte o público, uma das características de Allen em suas produções. Nesta, ele consegue inserir piadas inteligentes e exorcizar algumas de suas neuroses. Porém, há um momento em que o filme não flui e se torna previsível. Embora as atuação de Allen e Scarlett tenham uma ótima química, Hugh Jackman, que faz o papel do charmoso e aristocrata Peter Lyman, está pouco à vontade. Ainda assim, um Woody Allen mediano é ainda melhor do que muitas produções.

Letra e Música

 

Atualmente decadente, Alex Fletcher (Hugh Grant) foi um grande astro da música há 20 anos e hoje tem oportunidade de voltar a fazer sucesso ao compor uma canção para Cora Corman (Haley Bennett), a atual diva. Como não compõe há anos, ele não sabe se conseguirá entregar o hit. Porém, sua sorte começa a mudar quando conhece Sophie Fisher (Drew Barrymore). Grant está à vontade no papel e tem um ótimo timming para a comédia romântica. A química ao lado de Drew funciona, o que favorece a interpretação dos personagens. Dirigido por Marc Lawrence, o longa não apresenta nenhum tipo de inovação cinematográfica e é bastante previsível. No entanto, é capaz que arranque boas risadas, fazendo do filme um programa descontraído e, por que não?, divertido.

Robôs alienígenas invadem a América

Ataques, invasões e aparições alienígenas no cinema, pasme!, acontecem sempre nos Estados Unidos. Lembre-se de "Independence Day", "Guerra dos Mundos", "ET - O Extraterrestre", "MIB: Homens de Preto", entre outros. A partir de sexta, dia 20, é a vez de os robôs que se transformam em carros ou qualquer outro aparelho eletrônico, como microsystem e até telefone celular, invadirem a Califórnia e deixarem o Pentágono de cabeça para baixo. Isso porque os primeiros ataques ocorrem no Qatar, no Oriente Médio, e os soldados que servem o país mandam notícias ao chefe de Defesa Nacional (Jon Voight), pois eles estão se dirigindo para a América.

"Transformers", longa-metragem baseado no desenho animado que fez muito sucesso entre os garotos nos anos 1980, conta a história das duas raças alienígenas robóticas (os Autobots e os Decepticons), que brigavam entre si e colocaram o destino do Universo em risco. Para controlar os ataques, porém, a única pista deixada está guardada com Sam Witwicky (Shia Labeouf), um adolescente que só pensa em ganhar um carro do pai e leiloar objetos de seu tataravô no e-Bay. O primeiro carro está garantido, quando o seu pai resolve comprar um Camaro bem velho, mas que vai surpreender o garoto, principalmente quando ele se transforma em Bumblebee.



Sam e sua amiga Mikaela Banes (Megan Fox), que ele andou paquerando por sinal, vão convencer os policiais que precisam ajudar o planeta conversando com o tal robô, que apenas precisa de um dos objetos deixados pelo tataravô de Sam.

O diretor Michael Bay ("Pearl Harbor", "A Ilha") abusa de tomadas com a câmera em movimento, de modo a oferecer maior ação ao espectador e imagens muito rápidas, com cortes bruscos entre uma cena e outra. A música de Steve Jablonsky e os efeitos sonoros são os principais problemas da fita, pois não há silêncio durante os 144 minutos do filme (o que pode deixar algumas pessoas com um pouco de dor de cabeça ao sair do cinema).

Um dos pontos altos do filme, que tem produção executiva assinada por Steven Spielberg, é o bom humor do roteiro (embora em alguns momentos seja extremamente infantil e risível), que vira e mexe faz a platéia gargalhar, como o fato de o carro se comunicar por rádio e fazer com que a música seja a forma com a qual ele se expressa.

Outros fatores que contribuem positivamente são os efeitos visuais supervisionados por Scott Farrar e John Frazier, que mostram a real experiência de transformação do carro para um robô aos olhos do espectador, como se não existisse nenhum tipo de truque.

Quem decidir ver "Transformers" tem diversão garantida. Só não vale ir ao cinema esperando cultuar a sétima arte, no sentido mais literal da palavra.

Vamos fazer um filme?

- Pai, o que é filme de ficção?
- É filme de monstro.

A partir desta frase a confusão está armada no longa-metragem "Saneamento Básico, O Filme", que estréia dia 20 de julho. Escrito e dirigido por Jorge Furtado, o mesmo do ótimo "O Homem que Copiava", o longa conta a história de uma comunidade de descendentes italianos que vivem no sul do País e se reúne para cobrar da subprefeitura as obras do esgoto.

Liderada por Marina (Fernanda Torres), uma moça que trabalha na marcenaria do pai, seu Otaviano (Paulo José), e é casada com Joaquim (Wagner Moura), a comunidade recebe a notícia da secretária Marcela (Janaína Kremer) de que a verba para a construção do esgoto não será liberada, mas eles poderiam gravar um vídeo e receber o prêmio de R$ 10 mil concedido pelo governo federal.


Um dos problemas é que eles não sabem nem o que é um filme de ficção e arranjam uma câmera emprestada de Fabrício (Bruno Garcia), marido de Silene (Camila Pitanga), irmã de Marina. Então, a turma vai criar uma narrativa que renda 10 minutos a partir de uma história imaginada por Joaquim e escrita por Marina. E como eles acham que ficção é filme de monstro, a história vai se chamar "O Monstro do Fosso".

As passagens mais hilárias da fita são as que justamente citam o cinema, pois os personagens não têm a mínima noção do que estão fazendo. Como nunca ouviram falar de montagem, eles vão até Bento Gonçalves, uma cidade próxima à comunidade onde vivem, e conhecem Zico (Lázaro Ramos), especialista em gravar e editar fitas de casamento.

O personagem de Paulo José faz no vídeo o papel de um cientista maluco (lembra um pouco a figura de Albert Einstein) que explica o surgimento do monstro do fosso, personagem de Wagner Moura, que vai assustar a mocinha (Camila Pitanga).

O timming das piadas produzidas no longa poderia ser um pouco melhor, porque insiste em uma conversa que já passou, o público já riu, mas os atores na tela ainda persistem (por exemplo, a cena da pinguela).

Os diálogos, no entanto, principalmente entre Fernanda Torres e Wagner Moura, são excelentes, de um timming ótimo e de morrer de rir. Paulo José (muito bom também) contracena com Tonico Pereira, que faz o empreiteiro da obra. Os dois discutem o tempo todo e brigam tal como um bolonhês e um veneziano de verdade. Mas quando a saudade da Itália bate, eles se emocionam e se abraçam ao escutar a música da terra. A trilha sonora, aliás, contribui para o clima italiano, pois entre as canções estão "Dentro al cinema" (de Gianmaria Testa) e "Io che amo solo te" (de Sergio Endrigo).

O uso de metáforas é outro recurso usado e bem explorado, principalmente por intermédio de imagens da natureza e da mulher.
"Saneamento Básico, O Filme", mesmo com seus poucos problemas, faz o público se divertir e é uma das boas surpresas que o cinema nacional produziu e lança neste ano.

A frase que dá nome à matéria foi dita por Paulo José durante entrevista coletiva na semana passada, em São Paulo. Além do diretor Jorge Furtado, parte do elenco esteve presente para falar com a imprensa. Animados e bem à vontade, os atores conversaram sobre a nova obra e divertiram os jornalistas. Sobre o clima no set de filmagem, que durou seis semanas, Paulo José conta que era tranqüilo. "Acabava a filmagem e a gente queria ficar junto, todo mundo ajuda todo mundo."

Quanto à idéia de escrever uma história sobre a construção de um esgoto e a produção de um vídeo, Jorge diz que surgiu quando ele estava na Itália e foi inspirada na Commedia dell' Arte. "A narrativa foi livremente inspirada em um projeto brasileiro. Comecei a escrever o roteiro pensando neste elenco", completa o diretor.

Como se trata de uma história que fala sobre uma comunidade que luta para a construção do esgoto, Jorge acredita que, embora se trate de um problema social brasileiro, o filme não deve responder perguntas. "Em um país com tantas carências, produzir cultura é muito caro. Neste sentido, o filme não deve ter uma tese, mas eu acho que ele indica e cada personagem tem os seus problemas, mas todos são resolvidos pelo filme", completa.

Com locações no Rio Grande do Sul, Jorge afirma que as escolheu em função da vila. "A movelaria, que na verdade era um galpão abandonado, era o lugar que a gente precisava. Foi filmado em Bento Gonçalves, Santa Teresa e Monte Belo, na Serra Gaúcha, um lugar muito bonito", completa o gaúcho que sempre quis filmar em seu Estado. "Temos dois gaúchos na turma e não acho que a escolha do elenco deva ser um critério de escolha. A questão do sotaque, essa sim faz sentido. Fomos a Gramado pesquisar e percebemos que os mais velhos têm sotaque mais forte. O sotaque gaúcho não é fácil de fazer e, portanto, optei que o Paulo (José) e o Tonico (Pereira) fizessem sotaque italiano e os outros falassem normalmente", sentencia Jorge.

Autor de "O Homem que Copiava", "Meu Tio Matou um Cara", entre outros, Jorge Furtado diz que seus filmes são muito parecidos, mas desta vez ele resolveu fazer uma nova proposta. "Não há um protagonista principal, são oito que se revezam, e não tem narrações em off. Tentei fazer mais comédia que nos outros."

Sobre o fato de o Brasil fazer cinema e não ter saneamento básico em boa parte dos lares, Fernanda Torres acredita que o "cinema é um luxo" e ao mesmo tempo não produzi-lo mostra como se é primitivo. "O que eu gosto do filme do Jorge é que ninguém resolve o problema do esgoto, mas as questões humanas dos personagens são resolvidas através da arte", completa a atriz.

Com personagens nos dois últimos filmes de Jorge Furtado, Lázaro Ramos diz que a parceria é sempre bem-vinda. "Quando ele me mandou o roteiro eu disse: 'Jorge, não entendi nada, não achei a menor graça, mas vou fazer'", diverte-se. "Qualquer coisa que o Jorge me chama para fazer, eu faço. Ele faz parte do meu imaginário, da construção da minha personalidade e da minha percepção de cultura e de arte", conclui Lázaro.

Se o Brasil está fazendo o melhor cinema brasileiro, basta ir conferir.

Adaptação convence e se supera em novo longa-metragem

Se em toda adaptação de livro para o cinema ficarmos comparando as histórias, raramente o filme ganha. Isso porque na literatura se tem uma liberdade de criação maior (a imaginação de cada leitor a ele pertence), enquanto o cinema explica exatamente o que quer que cada espectador veja. Outro problema é a concisão da história. Ou seja, um livro de 702 páginas, se seguido exatamente como foi concebido, certamente ultrapassará os 120 minutos na fita. Bom, é por isso que não vou me esforçar para confrontar o que J. K. Rowling escreveu no quinto episódio da série Harry Potter, com o que o roteirista Michael Goldenberg propôs ao diretor David Yates.

 

É claro que algumas coisas incomodam um pouco, mas não chegam a ofender nem tirar a beleza do longa-metragem. “Harry Potter e a Ordem da Fênix” (“Harry Potter and the Order of the Phoenix”), que estreou mundialmente dia 11 de julho nos cinemas, é uma belíssima superprodução que deve ser vista por todos os fãs do bruxinho, principalmente se o leitor acompanha a história desde o seu início.

 

Nesta seqüência, e na constante mania de colocar as eternas lutas entre o bem e o mal, o longa inicia-se com Harry Potter (Daniel Radcliffe, com quase 18 anos) junto com seu primo Duda Dursley (Harry Melling). No entanto, depois que os dois se desentenderam, os dementadores os atacam. Para salvar a pele de ambos, Potter usa seus conhecimentos de magia para executar o feitiço do Patrono. No entanto, como usou magia em frente a um trouxa, Harry Potter recebe uma carta da Escola de Magia de Hogwarts dizendo que poderá ser expulso e não cursar mais o quinto ano.

 

A partir daí, a história se desenrola. Alastor Olho-Tonto Moody (Brendan Gleeson) aparece com outros aurores para resgatar Harry e fazer com que ele consiga voltar à escola. As imagens deles voando com as vassouras sobre o Rio Tâmisa, em Londres, são excelentes, assim como todas as citações da capital inglesa, como a sala do ministério e o acesso por intermédio de uma cabine telefônica.

 

Para combater o mal, já que o ministro da magia Cornélio Fudge (Robert Hardy) não acredita na volta do temível Lorde Voldemort (Ralph Fiennes), muitos se reúnem e formam uma sociedade secreta, chamada Ordem da Fênix, para se preparar. Outro problema que Harry, Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson) vão enfrentar é a professora Dolores Umbridge (Imelda Staunton). Sempre vestindo roupas cor-de-rosa e dando risadas irritantes (e convincentes), ela assumiu as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas e está colocando Hogwards de cabeça para baixo. Umbridge e o Ministério da Magia acreditam que os alunos da quinta série não precisam aprender a executar magias, então Harry e seus amigos fundam a Armada Dumbledore, onde vai reunir seus amigos para ensinar alguns feitiços de modo a se defender caso “você-sabe-quem” apareça.

 

Harry, que tem sonhado muito com a morte Cedrico Digory, que aconteceu no ano anterior, vê o retorno de Voldemort como uma possibilidade real e assustadora, porque agora ele sonha demais com o passado. As imagens em flash-back demonstram muito isso, e comparar Harry no primeiro longa (com 12 anos) com o atual é imprescindível.

 

(continua no post abaixo)

Ao acompanhar os cinco filmes da série, é possível ver também o crescimento de Daniel como pessoa e obviamente como ator, que até beija uma das personagens (embora falte química entre os atores). Após a cena, Hermione se mostra madura e comenta sobre a “amplitude emocional de uma colher de chá” de Rony. Ela, que sempre foi tão estudiosa e disciplinada, começa a quebrar regras.

No último filme, “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, lançado em 2005, muito se falou em maturidade do personagem e do ator. Neste também é visível a mudança, acrescentando-se também que trata-se um filme sombrio (tal como os anteriores), mas David Yates faz seu trabalho de direção com competência, posicionando suas câmeras adequadamente e executando muitos travellings, de modo a dar maior dimensão à grandiosidade da produção. A trilha sonora, que ficou a cargo de Nicholas Hooper, é belíssima, na medida em que seu sincronismo cumpre o papel muito bem. Outro detalhe imprescindível na fita é sobre os efeitos especiais supervisionados por Tim Burke. Criaturas novas aparecem na fita, os feitiços que os personagens executam são feitos com luzes e imaginação: muito bom.

 

Não dá para contar o que acontece ao final, mas é bom frisar que há um detalhe que não é igual ao descrito no livro. E quem vai ao cinema pensando em ver mais uma partida de Quadribol, desista. Não há nenhum jogo durante os 138 minutos. Os gêmeos Weasley e a reviravolta que eles causam na escola são ótimos, e os dois protagonizam as cenas mais hilárias da película.

 

O momento mais esperado pelos fãs talvez seja a batalha final entre professor Alvo Dumbledore (Michel Gambon) e Voldermort, que brigam pela profecia sobre Harry e o lorde das trevas (justamente o clímax do filme). E neste quesito não há no que se decepcionar.

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