Só a verdade, por favor

Cai a máscara da nata artística. A imagem de bonzinho, que se importa com os problemas sociais do mundo, que não os seus, já era. Nos anos 50, astros do showbiz americano são perseguidos e investigados para solucionar o assassinato (ou suicídio) de uma jovem camareira, estudante de jornalismo, que aparece morta dentro de uma banheira da suíte presidencial do hotel. O mote do longa-metragem "Verdade Nua" ("Where the Truth Lies"), de Atom Egoyan ("Marcados pelo Ódio") com estréia nesta sexta-feira, dia 28 de julho, é desvendar o mistério, quase 20 anos depois, do assassinato. Baseado no romance de Ropert Holmes, o longa conta a história dos artistas de televisão Vince Collins (Colin Firth) e Lanny Morris (Kevin Bacon) que estavam hospedados justamente na suíte onde a jovem fora encontrada.

A verdade é buscada pela ambiciosa jornalista Karen O'Connor (Alison Lohman), que conhece a dupla durante o Teleton, programa que tem o intuito de arrecadar dinheiro para doação a instituições carentes. Ela, que um dia teve poliomielite, fora curada e se livrou da paralisia infantil graças à ajuda deles.
No entanto, enquanto ela busca verdades, se envolve num romance com Lanny e a editora para a qual ela trabalha oferece US$ 1 milhão a Vince para publicação de um livro no qual ele conte o motivo da separação da dupla. No entanto, consta do contrato que ele deve revelar também o ocorrido naquela suíte. Ela não sabia, porém, que Lanny também estava escrevendo o seu livro para contar o episódio. Neste meio tempo, ela recebe, aos poucos e de fonte misteriosa, capítulos desse drama escritos por Lanny.

Por trás do sucesso da dupla há uma sombria escuridão, que envolve sexo (homo e heterosexual, fantasias ménage à trois), drogas (mas nada que seja injetável) e dinheiro. Para conseguir fazer as coisas acontecerem, os dois solicitam ajuda do mordomo de Lanny, Reuben (David Hayman). O que o espectador vai perceber, no entanto, é que há muito mais escondido por trás de cada personalidade e até mesmo os personagens se revelarão misteriosos e descobrirão coisas de si mesmos que até então não poderia ser imaginado.
A trama, que se passa nos anos 50, mistura a iluminação para que as diferentes décadas possam ser distinguidas pelo público. Solução que deu certo, principalmente por conta das tonalidades das cores (a película inteira é colorida, mas usa a técnica de preto-e-branco).

A fita conta com narrações em primeira pessoa e flash-backs, cenas de nudez que podem chocar os mais puritanos. O sotaque britânico de Colin Firth demonstra como é o seu personagem, quase um lorde inglês; enquanto o papel de vagabundo e festeiro fica para o americano Kevin Bacon que, sem ofensas, se sente confortável trabalhando com entretenimento. E durante os shows faz piadas, canta, movimenta o corpo em tom teatral. Mas só porque ele pode. E quem ganha é o espectador, que aprecia uma boa história contada por bons artistas. Assim é Hollywood, que às vezes acerta na escolha da produção (mesmo que esta tenha sido feita em conjunto com Canadá e Inglaterra).

A volta dos piratas

Johnny Depp não se cansa. Ainda bem. Ele começou a ser conhecido no cinema a partir de "Edward Mãos de Tesoura" (1990). Em "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça" (1999), ele confirmou a sua personalidade. No ano passado, Depp brilhou como Willy Wonka em "A Fantástica Fábrica de Chocolate" e em "A Noiva Cadáver". Nesta sexta-feira, dia 21, ele volta como o capitão Jack Sparrow, em "Piratas do Caribe: O Baú da Morte" ("Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest"), e prova que, sem ele, o longa-metragem jamais seria o mesmo.

Sua interpretação ímpar é o ponto de partida para o espectador decidir sair de casa e ver com os próprios olhos que é possível, sim, fazer um bom filme sobre piratas. Na trama, dirigida por Gore Verbinski ("Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra"), Jack é capturado e descobre-se que ele tem uma dívida de sangue com Davy Jones (Bill Nighy), que comanda as profundezas do mar.

Para acabar com a perseguição, o pirata precisa encontrar uma saída e se livrar da condenação de eterno escravo de Jones. Para isso, ele conta com a ajuda de Will Turner e Elizabeth Swann, que tiveram de adiar o casamento para ajudá-lo, e vão pedir ajuda à vidente Tia Dalma (Naomie Harris). Enquanto isso, o caçador de piratas, lorde Cutler Beckett (Tom Hollander) da Cia. das Índias Orientais, concentra-se em recuperar o "Baú da Morte", que oferece controle sobre Davy Jones.

Os personagens que ilustraram o primeiro longa continuam nesta segunda parte. É o caso de Will, vivido por Orlando Bloom, que percebeu que, de fato, é um pirata. E Elizabeth, personagem de Keira Knightley, que deixa a realeza para se juntar ao amado e lutar por sua liberdade, para que possam ser felizes no casamento. Ela, aliás, tem maior participação nas cenas de luta, trabalha com espadas e mostra que é capaz. Porém, outros personagens são inseridos na trama, como Bootstrap Bill (Stellan Skarsgård), pai de William, que todos pensavam estar morto, mas vive com Davy.
Filmado basicamente dentro de navios no mar, o longa conta com praias esplendorosas do Caribe como cenários para esta aventura. Em uma das ilhas onde os piratas param, aborígenes bizarros capturam Jack e sua tripulação para fazer dele um cozido. Em algumas cenas, o público vai dar boas gargalhadas. Nada melhor para continuar assistindo ao longa, porque, ao final, mesmo que já tenha sido anunciada a terceira parte da saga, é muito claro perceber que no ano que vem tem mais. A trilha sonora, de Hans Zimmer ("O Rei Leão"), é incessante e movimenta a ação, dando ênfase às peripécias de Jack.
Os atores filmaram os dois longas ao mesmo tempo (como Peter Jackson fez a trilogia "O Senhor dos Anéis") e a nova aventura, "Piratas do Caribe 3" (ainda sem subtítulo em português e em inglês), estréia em 2007 para dar o desfecho desta história que deixou algumas rebarbas. Mas, por enquanto, a diversão é certa.

Nem pássaro, nem avião

As franquias de filmes produzidos a partir de Histórias em Quadrinhos não param. Começou com “X-Men”, da Marvel, dirigido por Bryan Singer, em 2000. Entretanto, foi “Homem-Aranha”, de Sam Raimi, em 2002, que superou qualquer expectativa e confirmou que o caminho estava certo, principalmente por conta da resposta vinda das bilheterias.

 

 

Os dois filmes tiveram suas continuações em anos seguintes e ainda se espera a terceira parte de “Homem-Aranha”, prometida em 2007. Bryan Singer, aliás, também foi responsável por “X-Men 2”. Quando o convidaram para fazer a terceira parte, o diretor virou a casaca e partiu para realizar o sonho da DC Comics e trazer o Homem de Aço de volta às telas dos cinemas mundiais. A nova aposta da Warner foi bem feita, embora a história tenha flash-backs da infância do rapaz que são dispensáveis para o enredo.

 

 

“Superman – O Retorno” (“Superman Returns”), estréia desta sexta-feira, dia 14 de julho, marca justamente a volta de Superman a Metrópolis, depois de ele ter sumido durante cinco anos para ver com os próprios olhos a destruição de Krypton, o seu país natal. Vivido desta vez por Brandon Routh, após ter sido eternizado por Christopher Reeve, a partir de 1978, Superman também é Clark Kent, quando está disfarçado de repórter do Planeta Diário.

 

 

Durante a sua ausência, o terrível Lex Luthor (Kevin Spacey, ótimo!) saiu da cadeia e está aprontando com a cidade. E enquanto ele provoca blecaute, a repórter Lois Lane (Kate Bosworth) decide investigar a origem dos apagões. Depois do sumiço de Superman, Lois ficou indignada, uma vez que ele partiu sem dizer nada. Então, ela escreveu a reportagem “Por que o mundo não precisa do Superman” e ganhou o Prêmio Pulitzer.

 

 

O diretor do jornal, Perry White, é vivido por Frank Langella. O profissional da imprensa, com seu jeito capitalista de quem quer vender exemplares nas bancas, insiste para que Lois desista da matéria sobre o blecaute e siga para conseguir uma exclusiva com o Superman, e solta a pérola: “Os leitores querem tragédia, sexo e Superman”.

 

(continua no post abaixo)

 

Publicado pela primeira em 1938, o personagem é reproduzido em tirinhas há mais de três décadas em 25 línguas e em mais de 40 países. O primeiro filme foi em 1941, produzido em forma de 17 curtas-metragens. Depois, o personagem participou de cinco filmes e 35 títulos em vídeo e DVD. O primeiro longa-metragem “Superman and the Mole-Men” foi em 1951. Em 1978 foi lançado “Superman: O Filme” e depois “Superman II, III e IV”. Os dois primeiros, aliás, serviram de inspiração para Bryan Singer produzir o atual. Tanto que é utilizada imagem de Marlon Brando como o pai de Superman, Jor-El, na trama. A intenção de trazer o personagem de volta ao cinema se deve também ao tamanho sucesso do seriado “Smallville”, que conta sobre a juventude do personagem.

A película traz efeitos especiais que fazem explosões nucleares e melhoram o vôo do personagem, conseguido com o uso de equipamento mais moderno, como a câmera Gênesis, que permitiu experiência mais real nas cenas em que o super-herói aparece nos céus. Quando o avião pousa em um campo de futebol, mostra a platéia agitada e feliz (o mesmo deve acontecer nas salas de cinema).

A música-tema de John Williams é a mesma de 1978, fato que oferece ao espectador a chance de ligar os episódios e reconhecer que se trata de um personagem que esteve presente na infância, principalmente, de muitos adultos de hoje. O restante da trilha é composta por John Ottman e ela não se cala, nem nos momentos de maior tensão, quando é preciso um pouco de respiro.

 

 

Kevin Spacey, que já tinha interpretado um vilão em “Seven – Os Sete Pecados Capitais”, é um dos pontos altos da fita, uma vez que ele segura a trama e é encarregado da maior parte dos diálogos mais prolongados (mesmo tendo concluído o seu trabalho em apenas seis semanas). Seu jeito carrasco, vingativo e amargo é misturado com um pouco de ironia e humor, principalmente quando ele comenta com Lois sobre o que está fazendo para conquistar o mundo, faturar milhões e matar bilhões de pessoas (sempre exagerado).

 

 

Do outro lado, no entanto, Brandon deixa a desejar como o personagem-título. Nada sobre as suas características físicas, que muito se assemelham à figura eternizada por Reeve nos outros longas. No entanto, a impressão que temos é que falta emoção e algumas aulas de teatro e interpretação para o ator chegar lá. E neste caso, nem Superman pode salvá-lo.

A bíblia dos cinéfilos

Os apaixonados por cinema ou os estudantes da sétima arte agora têm bibliografia obrigatória. “Grandes Diretores de Cinema” (Editora Nova Fronteira, 256 páginas, R$ 29,90), livro escrito pelo jornalista e cineasta francês Laurent Tirard, chega ao Brasil trazendo entrevistas com 20 grandes mestres na arte de filmar.

Inicialmente, os textos foram publicados na revista francesa Studio, uma referência no segmento. Sem privilegiar este ou aquele país, a lista foi feita a dedo pelo especialista e a prioridade ficou apenas por conta da agenda de cada um.

Entre os diretores, os norte-americanos Martin Scorsese, Sydney Pollack, Tim Burton, Oliver Stone; o italiano Bernardo Bertolucci; o japonês Takeshi Kitano; o espanhol Pedro Almodóvar; o iugoslavo Emir Kusturica; o alemão Wim Wenders; o chinês John Woo; e, claro, os franceses Jean-Luc Godard, Jean-Pierra Jeunet, entre tantos outros.

No texto, dividido por nomes, Laurent apresenta o entrevistado, conta um pouco como foi a conversa e depois, nas páginas seguintes, a narrativa vem em primeira pessoa, como se tudo tivesse sido transcrito na íntegra. Woody Allen, aliás, mereceu este tratamento após meia hora de conversa com o autor. Durante a leitura, é possível entender um pouco mais sobre como funciona a direção de um filme.

O livro também oferece ao leitor oportunidade de conhecer por que cada diretor optou por este ou aquele procedimento em determinado filme, por que os movimentos de câmera são importantes, principalmente no momento em que se dá à obra a “cara” do diretor, os erros que podem ser evitados e como planejar (ou não, no caso de Woody Allen) o dia de filmagem. Ao final de cada um, a filmografia atualizada. Um bom motivo para assistir aos filmes ainda não vistos.

Gatos invadem São Paulo

Broadway, enfim, descobriu São Paulo. Depois de grandes musicais que passaram por aqui, como “A Bela e a Fera”, “O Fantasma da Ópera” (que está em cartaz há mais de um ano no Teatro Abril), em agosto é a vez de “Cats” se apresentar na cidade. O primeiro espetáculo foi realizado em Londres, em 1981, onde permaneceu por mais de 20 anos. A montagem, porém, já correu o mundo e chegou a cidades dos Estados Unidos, Canadá, México, Argentina, Suíça, Alemanha, Bélgica, Áustria, Suécia e Cingapura.
Depois de observar seus gatos, o poeta americano T.S Eliot escreveu sobre o comportamento felino. A narrativa, aliás, é baseada em 14 poemas de seu livro “Old Possum's Book of Practical Cat”. No palco, os gatos vão contar a história que se passa à meia-noite, quando não há som no beco e as luzes de um carro rasgam a paisagem escurecida da noite e revelam a imagem de um deles correndo. Um por um, gatos curiosos emergem. É uma noite especial, quando a tribo Jellicle Cats se reúne para escolher os melhores.
O encontro é marcado no Jellicle Ball, onde seu líder Old Deuteronomy fará uma escolha e anunciará qual deles irá para um lugar especial chamado "Heavyside Layer", onde poderá renascer para uma nova "vida Jellicle".

Com canções originais de Andrew Lloyd Webber, o espetáculo é repleto de cor, luz, dança, movimento e, sobretudo, emoção. Durante a apresentação, o público terá a oportunidade de conferir personagens cativantes, com maquiagens impecáveis e envolvimento com a platéia. Além de atuar, eles também dançam e cantam. Um dos destaques é quando a gata Grizabella interpreta “Memory”. A canção foi imortalizada nas vozes de Barbra Streisand, Barry Manilow, José Carreras, Sarah Brightman.
No Brasil, as apresentações realizam-se no Credicard Hall, de 9 a 27 de agosto, e o espetáculo segue depois para o Rio de Janeiro. Os ingressos podem ser adquiridos diretamente no local, ou em pontos de venda que cobram acréscimo de 20%. Os preços variam de R$ 80 a R$ 200 (estudantes pagam meia-entrada).
A produção e o elenco são originais e contam com 70 pessoas, entre artistas e produção. O espetáculo já foi traduzido para 10 línguas e recebeu mais de 30 prêmios, como o Tony Awards, Laurence Olivier e Evening Standard.

Jogador conta por que a Seleção não venceu a França

A Copa do Mundo da Alemanha ainda não chegou ao fim. O último jogo, entre Itália e França, só acontece no domingo, dia 9. Infelizmente, os brasileiros não conseguiram chegar e os torcedores continuam inconformados quando perceberam que o sonho do Hexacampeonato tinha ido embora  com a derrota contra a França, dia 1º de julho. O capitão da Seleção Brasileira, Cafu, voltou ao país na segunda-feira, 3, em férias do Milan, clube em que joga na Itália. Como é de costume, ele descansa em Alphaville, onde há 12 anos moram os seus pais. E foi durante a tarde de quarta-feira, 5, que ele recebeu, com exclusividade e em primeira mão, a Folha de Alphaville para esta entrevista.

O sorriso que ele costuma estampar no rosto estava um pouco tímido no início da conversa, mas ele logo diz o motivo, quando é questionado sobre a sensação de voltar para casa. "É de tristeza, ruim, mas a gente tem que encarar isso com a cabeça erguida. Ninguém queria sair da maneira que saiu. Agora é preciso dar seqüência à vida." Rodeado pela família, ele afirma que gosta de estar em casa. "Gosto de sair para jantar, almoçar, já fui em quase todos os restaurantes de Alphaville", confirma. Enquanto 22 de julho não chega, dia que embarca rumo à Itália, Cafu, que nasceu Marcos Evangelista de Moraes, conta que, "estando em casa, mesmo sem fazer nada, já está bom".
Durante a entrevista, crianças bateram à sua porta para tirar uma foto com o jogador. E ele se mostrou bastante amigável e declara: "Adoro Alphaville. Não me incomodo com o assédio, principalmente das crianças."

Nada de aposentadoria
Seu contrato com o Milan, aliás, era para ter terminado neste ano, mas foi renovado e vence em junho de 2007. "Para o segu ndo semestre penso apenas no Milan, na nova temporada. Vamos ver o que acontece. Quando terminar, veremos o que fazer depois." Isso porque, aos 36 anos, ele não quer saber de aposentadoria. "Nem pensar, está cedo ainda. Estou novo, por que me aposentar?"
Mas é quando o assunto se volta à Fundação Cafu, inaugurada em 2004, no Jardim Irene (bairro da periferia de São Paulo onde ele viveu), que o sorriso retorna à tona. "A Fundação está maravilhosa, é uma das coisas boas neste período. Começamos o projeto em 2000 e atendemos 240 crianças. São mais de 1.900 atendimentos mensais. Vemos o valor que a criançada dá", conta.
No local há cursos profissionalizantes (computação, inglês, cabeleireiro) e aulas de reforço, assim como quadras poliesportivas para prática de esportes.

Enfim, a Copa
Mesmo que a Seleção Brasileira não tenha perdido nenhum jogo na primeira fase, os torcedores reclamaram por mais gols. "Veja bem. O importante era passar cada etapa para que a gente pudesse superar a fase seguinte. Claro, todo mundo queria que o Brasil fizesse seis, sete gols, que desse show, mas às vezes isso não acontece. E quando não acontece, o mais importante é o resultado. Naquele momento, era mais importante passar para as oitavas-de-final." E não é só isso. Ele confirma que o objetivo era a final da competição. "Infelizmente não aconteceu e perdemos para a França, por isso pode ter ficado marcado."
Era uma revanche, uma vez que na final de 1998 o penta se foi justamente com a mesma França? "Não, era mais um jogo. Pra mim não existe revanche. Esse é um sentimento ruim que te prejudica  dentro de campo. Acho que a gente queria vencer, independentemente de revanche ou não, porque vencendo a França a gente passaria para a semifinal."
Enfim, o jogo, que aconteceu no último sábado, 1º, foi fraco, sem chutes a gol no ataque brasileiro, e ainda o final foi um a zero para a França. "Faltou a gente acreditar. Nos acomodamos depois que tomamos o gol. Achamos que podíamos fazer gol a qualquer momento." Mas não deu. E mesmo sob a tristeza de alguns jogadores, e choro de torcedores, os guerreiros da seleção voltaram mais cedo para casa.
Daqui pra frente, é preciso pensar em outras coisas. "Vou trabalhar para que possa estar bem." Na próxima competição, que acontece em 2010 na África do Sul, Cafu não sabe se estará lá para vestir a camisa amarela. "Impossível saber. O próximo treinador vai decidir, já que o (técnico) Parreira ainda não comentou se vai continuar ou não. Ele só vai definir quando conversar com o (presidente da CBF) Ricardo Teixeira, que volta ao Brasil após a final da Copa do Mundo."

E ainda tem mais Seleção: em 18 de agosto, o Brasil joga amistoso contra a Noruega, em Oslo. Já em 7 de outubro, é a vez de o Kuwait pegar o Brasil em casa.
Ah, sim, já que ele não pode defender o time, o jeito é escolher um dos finalistas para torcer. Entre Alemanha e Itália, ele assistiu ao jogo e torceu para a Itália. "Moro lá há 10 anos, é justo." Entre França e Portugal, é pelo time comandado pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari que ele vibrou.
Aos torcedores, Cafu pede para que eles não guardem mágoa. "Principalmente do Cafu, pois temos mais conquistas do que derrotas. A minha imagem é a de um campeão e peço para que os torcedores não crucifiquem os jogadores, que continuem torcendo. A nossa vida continua." Sim, não é o fim do mundo. A vida sempre continua após a Copa.

Em busca do verde perdido

Em mês de férias, pipocam nos cinemas filmes para as crianças. É sempre igual. No entanto, a cada ano, os desenhos estão melhorando e levando não apenas os pequenos, mas também os adultos para assistirem a essas animações. "Carros", por exemplo, chegou na semana passada e está em primeiro lugar no ranking de bilheteria do final de semana nos cinemas brasileiros. Nesta sexta-feira, dia 7 de julho, estréia "Os Sem-floresta" ("Over the Hedge"), dos mesmos produtores de "Madagascar" e do sensacional "Shrek". Este último, aliás, fez bonito no primeiro filme, em 2001, e melhorou a bilheteria ainda mais na segunda parte, lançada em 2004. Tanto, que no ano que vem tem mais uma continuação da franquia (desta vez, sem Bussunda na dublagem em português do personagem-título).
O longa-metragem, dirigido por Tim Johnson ("Formiguinhaz"), foi inspirado nas tiras escritas por Michael Fry e ilustradas por T. Lewis, e estrearam em junho de 1995. As histórias apresentam com ironia as fraquezas dos humanos nas línguas afiadas dos animais da floresta.

A narrativa do longa fala sobre os animais que vivem em uma floresta e, quando acordam da hibernação, em pleno início da primavera, deparam com uma cerca-viva perto de onde eles costumam dormir. Todos ficam extremamente assustados com o que pode estar acontecendo. O líder, vivido pela tartaruga Verne, sugere que eles fiquem alerta e comecem a pensar em caçar alimento para que possam percorrer mais um inverno com tranqüilidade. Com espírito paternalista e protetor, Verne pretende, sempre, unir os animais e preveni-los das "roubadas" que possam aparecer adiante.

No meio da confusão, surge RJ (com voz de Bruce Willis na versão original), um guaxinim do mal e muito esperto que tentou roubar comida de um enorme urso e, portanto, está sendo ameaçado. Ele, numa tentativa de conseguir ajuda para repor os alimentos, tenta explicar aos animais que do outro lado da cerca estão as mordomias do mundo moderno, como o controle-remoto e toda a comida enlatada que pode existir para facilitar as suas vidas.

É lá, do outro lado da cerca, que moram os humanos, esses seres que "vivem para comer, em vez de comer para viver", como filosofa RJ, e depois precisam correr do prejuízo em cima de uma esteira. E foi sacrificando a floresta desses animais que surgiu o condomínio de casas, onde residem pessoas que querem se afastar da natureza, como a presidente da associação dos moradores, que contrata um exterminador de animais para colocar armadilhas em seu quintal, com o intuito de coibir qualquer intruso que possa aparecer na sua casa, guardada por um gato persa muito mimado.


E é a gambá Estela (com voz da cantora Preta Gil na versão brasileira), que tem a missão de conquistar e distrair o gato para que os outros animais da família possam efetuar o "serviço".
A fita arranca gargalhadas do público, que vai se divertir com as piadas e as trapalhadas desses animais. Para os adultos, fica a lição sobre a gula e também a destruição da natureza e o crescimento desordenado das cidades em troca da vida mansa. Depois da preparação feita com "Madagascar", que enumerou diversos tipos de animais na África, os produtores já estavam escolados para construir personagens digitais com diferentes tipos de pelagem e com personalidades que vão atrair até os mais céticos e ranzinzas.

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