Campanha sem sucesso

Depois de recontarem muito bem a história do jazzista Ray Charles, no filme "Ray", com Jamie Foxx no papel-título, por exemplo, agora é a vez de o ex-senador dos Estados Unidos, e candidato à presidência daquele país, Robert F. Kennedy, ter parte de sua vida exposta na tela grande. Em junho de 1968, no meio da Guerra do Vietnã, seu mote de governo era acabar com o combate em prol da paz. O longa-metragem "Bobby", que estréia sexta-feira, dia 27 de julho, conta justamente suas propostas de governo, desde a campanha até as eleições, passando pela noite em que ele foi baleado.
Com roteiro e direção sob a batuta de Emilio Estevez ("Lembranças Vivas"), a fita utiliza-se de uma experiência bastante interessante, quando se propõe a contar a história de uma personalidade no cinema por intermédio da vida de outras pessoas que fizeram parte dela, sejam esses personagens fictícios ou não. O elenco de primeira linha contribui justamente para este sucesso. Assim, as imagens vão mostrar a rotina do Hotel Ambassador e contar a história de 22 personagens que, de alguma maneira, contribuíram para a campanha de Bobby.
Entre os personagens, o porteiro aposentado do hotel (Anthony Hopkins), que joga xadrez como ninguém e conta sobre quais personalidades ele pôde servir e que se hospedaram no Ambassador. Também o atual gerente, Paul Ebbers (William H. Macy), casado com a cabeleireira Miriam (Sharon Stone), que mantém um caso extraconjugal.

O núcleo mais descontraído do hotel talvez seja o formado pelo chefe dos cozinheiros, o arrogante Timmons (Christian Slater), e o experiente chef de cozinha Edward Robinson (Laurence Fishburne), que utiliza de sua sabedoria para agradar quem trabalha com ele, como o mexicano Jose (Freddy Rodriguez), que estava louco para ir ver o jogo dos Dodgers, mas teve de fazer turno dobrado, e Miguel (Jacob Vargas).

Além dos funcionários do hotel, também participam da história alguns hóspedes, como a cantora Virginia Fallon (Demi Moore, ótima como uma alcoólatra), a jovem noiva (Lindsay Lohan), que irá se casar com um rapaz (Elijah Wood) para evitar que ele vá para o Vietnã, e um socialite deprimido (Martin Sheen) e sua esposa (Helen Hunt), que não pára de falar em sapatos. Para dar boas risadas, as trapalhadas dos jovens voluntários Jimmy e Cooper (Brian Geraghty e Shia Lebeouf), que vêem suas vidas mudarem com o uso do LSD.

Estevez, que também tem um papel na fita, intercalou sabiamente as imagens fictícias com originais da época, principalmente com cenas do ex-senador na ativa. Seus pronunciamentos também foram utilizados em forma de narrações em off, um recurso bastante utilizado no cinema, embora seja excessivamente cansativo. Nesta produção, porém, o uso se justifica, principalmente por fazer sentido no caso de agregar informações da época quase 40 anos depois. Destaque também para a reconstrução do ambiente, como figurino e mobiliário do período.
Todos os personagens, embora sejam muitos, são bem-construídos e de certo modo envolvem o espectador do início ao fim, que torce para que cada um tenha destinos positivos.
Talvez a grande lição do filme seja conhecer as propostas que Robert Keneddy não tenha tido tempo de colocar em prática. Um exemplo, mesmo que utópico, para os governantes (para não se falar apenas de um) que só pensam em ganância e guerra.

Scoop – O Grande Furo

A parceria de Woody Allen com a atriz Scarlett Johansson e também com a Inglaterra como cenário teve início com o “Ponto Final - Match Point”. Desta vez, além de ele ter um papel no longa, trabalha também Hugh Jackman. Nesta trama, Allen, autor do roteiro, conta a história de um jornalista falecido, Joe Strombel (Ian McShane), que mesmo morto continua procurando pistas para encontrar o serial killer que está solto. Para isso, ele conta com a ajuda da estudante de jornalismo Sondra Pransky (Scarlett), que vai participar de um número de mágica apresentado por Sid Waterman (Woody Allen) e recebe mensagens do além. O longa diverte o público, uma das características de Allen em suas produções. Nesta, ele consegue inserir piadas inteligentes e exorcizar algumas de suas neuroses. Porém, há um momento em que o filme não flui e se torna previsível. Embora as atuação de Allen e Scarlett tenham uma ótima química, Hugh Jackman, que faz o papel do charmoso e aristocrata Peter Lyman, está pouco à vontade. Ainda assim, um Woody Allen mediano é ainda melhor do que muitas produções.

Letra e Música

 

Atualmente decadente, Alex Fletcher (Hugh Grant) foi um grande astro da música há 20 anos e hoje tem oportunidade de voltar a fazer sucesso ao compor uma canção para Cora Corman (Haley Bennett), a atual diva. Como não compõe há anos, ele não sabe se conseguirá entregar o hit. Porém, sua sorte começa a mudar quando conhece Sophie Fisher (Drew Barrymore). Grant está à vontade no papel e tem um ótimo timming para a comédia romântica. A química ao lado de Drew funciona, o que favorece a interpretação dos personagens. Dirigido por Marc Lawrence, o longa não apresenta nenhum tipo de inovação cinematográfica e é bastante previsível. No entanto, é capaz que arranque boas risadas, fazendo do filme um programa descontraído e, por que não?, divertido.

Robôs alienígenas invadem a América

Ataques, invasões e aparições alienígenas no cinema, pasme!, acontecem sempre nos Estados Unidos. Lembre-se de "Independence Day", "Guerra dos Mundos", "ET - O Extraterrestre", "MIB: Homens de Preto", entre outros. A partir de sexta, dia 20, é a vez de os robôs que se transformam em carros ou qualquer outro aparelho eletrônico, como microsystem e até telefone celular, invadirem a Califórnia e deixarem o Pentágono de cabeça para baixo. Isso porque os primeiros ataques ocorrem no Qatar, no Oriente Médio, e os soldados que servem o país mandam notícias ao chefe de Defesa Nacional (Jon Voight), pois eles estão se dirigindo para a América.

"Transformers", longa-metragem baseado no desenho animado que fez muito sucesso entre os garotos nos anos 1980, conta a história das duas raças alienígenas robóticas (os Autobots e os Decepticons), que brigavam entre si e colocaram o destino do Universo em risco. Para controlar os ataques, porém, a única pista deixada está guardada com Sam Witwicky (Shia Labeouf), um adolescente que só pensa em ganhar um carro do pai e leiloar objetos de seu tataravô no e-Bay. O primeiro carro está garantido, quando o seu pai resolve comprar um Camaro bem velho, mas que vai surpreender o garoto, principalmente quando ele se transforma em Bumblebee.



Sam e sua amiga Mikaela Banes (Megan Fox), que ele andou paquerando por sinal, vão convencer os policiais que precisam ajudar o planeta conversando com o tal robô, que apenas precisa de um dos objetos deixados pelo tataravô de Sam.

O diretor Michael Bay ("Pearl Harbor", "A Ilha") abusa de tomadas com a câmera em movimento, de modo a oferecer maior ação ao espectador e imagens muito rápidas, com cortes bruscos entre uma cena e outra. A música de Steve Jablonsky e os efeitos sonoros são os principais problemas da fita, pois não há silêncio durante os 144 minutos do filme (o que pode deixar algumas pessoas com um pouco de dor de cabeça ao sair do cinema).

Um dos pontos altos do filme, que tem produção executiva assinada por Steven Spielberg, é o bom humor do roteiro (embora em alguns momentos seja extremamente infantil e risível), que vira e mexe faz a platéia gargalhar, como o fato de o carro se comunicar por rádio e fazer com que a música seja a forma com a qual ele se expressa.

Outros fatores que contribuem positivamente são os efeitos visuais supervisionados por Scott Farrar e John Frazier, que mostram a real experiência de transformação do carro para um robô aos olhos do espectador, como se não existisse nenhum tipo de truque.

Quem decidir ver "Transformers" tem diversão garantida. Só não vale ir ao cinema esperando cultuar a sétima arte, no sentido mais literal da palavra.

Vamos fazer um filme?

- Pai, o que é filme de ficção?
- É filme de monstro.

A partir desta frase a confusão está armada no longa-metragem "Saneamento Básico, O Filme", que estréia dia 20 de julho. Escrito e dirigido por Jorge Furtado, o mesmo do ótimo "O Homem que Copiava", o longa conta a história de uma comunidade de descendentes italianos que vivem no sul do País e se reúne para cobrar da subprefeitura as obras do esgoto.

Liderada por Marina (Fernanda Torres), uma moça que trabalha na marcenaria do pai, seu Otaviano (Paulo José), e é casada com Joaquim (Wagner Moura), a comunidade recebe a notícia da secretária Marcela (Janaína Kremer) de que a verba para a construção do esgoto não será liberada, mas eles poderiam gravar um vídeo e receber o prêmio de R$ 10 mil concedido pelo governo federal.


Um dos problemas é que eles não sabem nem o que é um filme de ficção e arranjam uma câmera emprestada de Fabrício (Bruno Garcia), marido de Silene (Camila Pitanga), irmã de Marina. Então, a turma vai criar uma narrativa que renda 10 minutos a partir de uma história imaginada por Joaquim e escrita por Marina. E como eles acham que ficção é filme de monstro, a história vai se chamar "O Monstro do Fosso".

As passagens mais hilárias da fita são as que justamente citam o cinema, pois os personagens não têm a mínima noção do que estão fazendo. Como nunca ouviram falar de montagem, eles vão até Bento Gonçalves, uma cidade próxima à comunidade onde vivem, e conhecem Zico (Lázaro Ramos), especialista em gravar e editar fitas de casamento.

O personagem de Paulo José faz no vídeo o papel de um cientista maluco (lembra um pouco a figura de Albert Einstein) que explica o surgimento do monstro do fosso, personagem de Wagner Moura, que vai assustar a mocinha (Camila Pitanga).

O timming das piadas produzidas no longa poderia ser um pouco melhor, porque insiste em uma conversa que já passou, o público já riu, mas os atores na tela ainda persistem (por exemplo, a cena da pinguela).

Os diálogos, no entanto, principalmente entre Fernanda Torres e Wagner Moura, são excelentes, de um timming ótimo e de morrer de rir. Paulo José (muito bom também) contracena com Tonico Pereira, que faz o empreiteiro da obra. Os dois discutem o tempo todo e brigam tal como um bolonhês e um veneziano de verdade. Mas quando a saudade da Itália bate, eles se emocionam e se abraçam ao escutar a música da terra. A trilha sonora, aliás, contribui para o clima italiano, pois entre as canções estão "Dentro al cinema" (de Gianmaria Testa) e "Io che amo solo te" (de Sergio Endrigo).

O uso de metáforas é outro recurso usado e bem explorado, principalmente por intermédio de imagens da natureza e da mulher.
"Saneamento Básico, O Filme", mesmo com seus poucos problemas, faz o público se divertir e é uma das boas surpresas que o cinema nacional produziu e lança neste ano.

A frase que dá nome à matéria foi dita por Paulo José durante entrevista coletiva na semana passada, em São Paulo. Além do diretor Jorge Furtado, parte do elenco esteve presente para falar com a imprensa. Animados e bem à vontade, os atores conversaram sobre a nova obra e divertiram os jornalistas. Sobre o clima no set de filmagem, que durou seis semanas, Paulo José conta que era tranqüilo. "Acabava a filmagem e a gente queria ficar junto, todo mundo ajuda todo mundo."

Quanto à idéia de escrever uma história sobre a construção de um esgoto e a produção de um vídeo, Jorge diz que surgiu quando ele estava na Itália e foi inspirada na Commedia dell' Arte. "A narrativa foi livremente inspirada em um projeto brasileiro. Comecei a escrever o roteiro pensando neste elenco", completa o diretor.

Como se trata de uma história que fala sobre uma comunidade que luta para a construção do esgoto, Jorge acredita que, embora se trate de um problema social brasileiro, o filme não deve responder perguntas. "Em um país com tantas carências, produzir cultura é muito caro. Neste sentido, o filme não deve ter uma tese, mas eu acho que ele indica e cada personagem tem os seus problemas, mas todos são resolvidos pelo filme", completa.

Com locações no Rio Grande do Sul, Jorge afirma que as escolheu em função da vila. "A movelaria, que na verdade era um galpão abandonado, era o lugar que a gente precisava. Foi filmado em Bento Gonçalves, Santa Teresa e Monte Belo, na Serra Gaúcha, um lugar muito bonito", completa o gaúcho que sempre quis filmar em seu Estado. "Temos dois gaúchos na turma e não acho que a escolha do elenco deva ser um critério de escolha. A questão do sotaque, essa sim faz sentido. Fomos a Gramado pesquisar e percebemos que os mais velhos têm sotaque mais forte. O sotaque gaúcho não é fácil de fazer e, portanto, optei que o Paulo (José) e o Tonico (Pereira) fizessem sotaque italiano e os outros falassem normalmente", sentencia Jorge.

Autor de "O Homem que Copiava", "Meu Tio Matou um Cara", entre outros, Jorge Furtado diz que seus filmes são muito parecidos, mas desta vez ele resolveu fazer uma nova proposta. "Não há um protagonista principal, são oito que se revezam, e não tem narrações em off. Tentei fazer mais comédia que nos outros."

Sobre o fato de o Brasil fazer cinema e não ter saneamento básico em boa parte dos lares, Fernanda Torres acredita que o "cinema é um luxo" e ao mesmo tempo não produzi-lo mostra como se é primitivo. "O que eu gosto do filme do Jorge é que ninguém resolve o problema do esgoto, mas as questões humanas dos personagens são resolvidas através da arte", completa a atriz.

Com personagens nos dois últimos filmes de Jorge Furtado, Lázaro Ramos diz que a parceria é sempre bem-vinda. "Quando ele me mandou o roteiro eu disse: 'Jorge, não entendi nada, não achei a menor graça, mas vou fazer'", diverte-se. "Qualquer coisa que o Jorge me chama para fazer, eu faço. Ele faz parte do meu imaginário, da construção da minha personalidade e da minha percepção de cultura e de arte", conclui Lázaro.

Se o Brasil está fazendo o melhor cinema brasileiro, basta ir conferir.

Adaptação convence e se supera em novo longa-metragem

Se em toda adaptação de livro para o cinema ficarmos comparando as histórias, raramente o filme ganha. Isso porque na literatura se tem uma liberdade de criação maior (a imaginação de cada leitor a ele pertence), enquanto o cinema explica exatamente o que quer que cada espectador veja. Outro problema é a concisão da história. Ou seja, um livro de 702 páginas, se seguido exatamente como foi concebido, certamente ultrapassará os 120 minutos na fita. Bom, é por isso que não vou me esforçar para confrontar o que J. K. Rowling escreveu no quinto episódio da série Harry Potter, com o que o roteirista Michael Goldenberg propôs ao diretor David Yates.

 

É claro que algumas coisas incomodam um pouco, mas não chegam a ofender nem tirar a beleza do longa-metragem. “Harry Potter e a Ordem da Fênix” (“Harry Potter and the Order of the Phoenix”), que estreou mundialmente dia 11 de julho nos cinemas, é uma belíssima superprodução que deve ser vista por todos os fãs do bruxinho, principalmente se o leitor acompanha a história desde o seu início.

 

Nesta seqüência, e na constante mania de colocar as eternas lutas entre o bem e o mal, o longa inicia-se com Harry Potter (Daniel Radcliffe, com quase 18 anos) junto com seu primo Duda Dursley (Harry Melling). No entanto, depois que os dois se desentenderam, os dementadores os atacam. Para salvar a pele de ambos, Potter usa seus conhecimentos de magia para executar o feitiço do Patrono. No entanto, como usou magia em frente a um trouxa, Harry Potter recebe uma carta da Escola de Magia de Hogwarts dizendo que poderá ser expulso e não cursar mais o quinto ano.

 

A partir daí, a história se desenrola. Alastor Olho-Tonto Moody (Brendan Gleeson) aparece com outros aurores para resgatar Harry e fazer com que ele consiga voltar à escola. As imagens deles voando com as vassouras sobre o Rio Tâmisa, em Londres, são excelentes, assim como todas as citações da capital inglesa, como a sala do ministério e o acesso por intermédio de uma cabine telefônica.

 

Para combater o mal, já que o ministro da magia Cornélio Fudge (Robert Hardy) não acredita na volta do temível Lorde Voldemort (Ralph Fiennes), muitos se reúnem e formam uma sociedade secreta, chamada Ordem da Fênix, para se preparar. Outro problema que Harry, Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson) vão enfrentar é a professora Dolores Umbridge (Imelda Staunton). Sempre vestindo roupas cor-de-rosa e dando risadas irritantes (e convincentes), ela assumiu as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas e está colocando Hogwards de cabeça para baixo. Umbridge e o Ministério da Magia acreditam que os alunos da quinta série não precisam aprender a executar magias, então Harry e seus amigos fundam a Armada Dumbledore, onde vai reunir seus amigos para ensinar alguns feitiços de modo a se defender caso “você-sabe-quem” apareça.

 

Harry, que tem sonhado muito com a morte Cedrico Digory, que aconteceu no ano anterior, vê o retorno de Voldemort como uma possibilidade real e assustadora, porque agora ele sonha demais com o passado. As imagens em flash-back demonstram muito isso, e comparar Harry no primeiro longa (com 12 anos) com o atual é imprescindível.

 

(continua no post abaixo)

Ao acompanhar os cinco filmes da série, é possível ver também o crescimento de Daniel como pessoa e obviamente como ator, que até beija uma das personagens (embora falte química entre os atores). Após a cena, Hermione se mostra madura e comenta sobre a “amplitude emocional de uma colher de chá” de Rony. Ela, que sempre foi tão estudiosa e disciplinada, começa a quebrar regras.

No último filme, “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, lançado em 2005, muito se falou em maturidade do personagem e do ator. Neste também é visível a mudança, acrescentando-se também que trata-se um filme sombrio (tal como os anteriores), mas David Yates faz seu trabalho de direção com competência, posicionando suas câmeras adequadamente e executando muitos travellings, de modo a dar maior dimensão à grandiosidade da produção. A trilha sonora, que ficou a cargo de Nicholas Hooper, é belíssima, na medida em que seu sincronismo cumpre o papel muito bem. Outro detalhe imprescindível na fita é sobre os efeitos especiais supervisionados por Tim Burke. Criaturas novas aparecem na fita, os feitiços que os personagens executam são feitos com luzes e imaginação: muito bom.

 

Não dá para contar o que acontece ao final, mas é bom frisar que há um detalhe que não é igual ao descrito no livro. E quem vai ao cinema pensando em ver mais uma partida de Quadribol, desista. Não há nenhum jogo durante os 138 minutos. Os gêmeos Weasley e a reviravolta que eles causam na escola são ótimos, e os dois protagonizam as cenas mais hilárias da película.

 

O momento mais esperado pelos fãs talvez seja a batalha final entre professor Alvo Dumbledore (Michel Gambon) e Voldermort, que brigam pela profecia sobre Harry e o lorde das trevas (justamente o clímax do filme). E neste quesito não há no que se decepcionar.

Receitas para nenhum rato botar defeito!

Remy é um ratinho que vive no esgoto, mas não tem a mínima idéia que acima de sua cabeça está uma cidade deslumbrante como Paris. Por conta de um desencontro com seus familiares durante uma fuga, ele se vê sozinho, com um livro de culinária, e começa a conversar com o fantasma de Auguste Gusteau, um cultuado chef de cozinha da França.

E é a partir desta conversa que Remy sobe para a rua e descobre que o tempo todo ele vagava por baixo de uma das cidades mais bonitas da Europa. A sensação que Remy tem ao encarar a Torre Eiffel talvez seja a mesma de um visitante que pela primeira vez vê o símbolo da cidade bem de perto: de perder o fôlego.
Remy, com voz de Patton Oswalt na versão original, é o personagem central do longa-metragem de animação "Ratatouille", a nova aposta da Pixar Animation Studios e da Disney. Dirigido por Brad Bird (o mesmo de "Os Incríveis"), o filme conta a história do talentoso Remy, que sonha em ser um cozinheiro de um restaurante cinco estrelas.

Mas é ajudando o faxineiro Linguini (Lou Romano), que eles vão desenvolver uma amizade improvável, o espírito de união e também descobrir o talento do pequeno chef.
Para tanto, porém, os dois farão manobras incríveis e engraçadas para disfarçar que quem está dando a receita ao aprendiz é o roedor. Outra coisa: os dois terão de passar por cima do atual chef e também do crítico gastronômico Ego (Peter O'Toole).

Um dos pontos altos da fita é o bom humor do roteiro, que é bastante delicado, convincente e bem escrito, além do desenho, pois a Paris retratada na animação consegue mostrar os encantos da Cidade Luz e pontos turísticos, como o Rio Sena, a Catedral de Notre Dame, bistrôs.
A Pixar, que está acostumada a surpreender os espectadores com seus personagens originais, como os brinquedos que ganham vida ("Toy Story"), os monstros apavorados ("Monstros S.A."), o peixe que se perde da família ("Procurando Nemo"), além dos super-heróis ("Os Incríveis") e dos automóveis falantes ("Carros"), traz novamente personagens cativantes, em uma história singular que vai agradar a família inteira.
Um senão: bem que a versão original poderia ser falada em francês e não em inglês, para ambientar mais o personagem no local onde ele está. Mas aí seria correr um risco grande demais, que os executivos dos estúdios não estariam preparados.

Uma homenagem a Paris!

Já fizeram isso com Nova York, quando, em 1989, os diretores Woody Allen, Francis Ford Coppola e Martin Scorsese se reuniram para contar três histórias distintas, de cerca de 30 minutos cada uma, com a cidade como pano de fundo.

Desta vez, a homenageada é Paris. O longa-metragem “Paris, Te Amo” (Paris, Je T’aime) reúne 21 diretores que vão contar 18 histórias com cerca de cinco minutos cada com a cidade como personagem. Nada mais apropriado, já que Paris é considerada uma das cidades mais românticas do mundo.

Pois bem, para encarar a façanha, foram convidados os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomaz, os Irmãos Coen, Gus Van Sant, Isabelle Coixet, Alfonso Cuaron, entre outros para contar as suas histórias.

Um dos destaques é o curta-metragem “Montmartre”, de Bruno Podalydès, que conta a história de um motorista enfezado que não consegue estacionar o seu carro no tradicional bairro da cidade. Enquanto isso, ele conhece uma moça, que está caída no chão.

 

 

Outro curta delicado é o “Quais de Seine”, de Gurinder Chadha, que apresenta os jovens rapazes à beira do rio Sena paquerando as moças que passam, como a muçulmana por quem se sente atraído.

Os irmãos Joel e Ethan Coen ficaram responsáveis por “Tuileries”, o filme que conta sobre o turista no metrô que não entende nada de francês e se envolve em uma briga com o casal de namorados por puro ciúme.

 

 

Na seqüência, é a vez de os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas contarem a história “Loin du 16e”, sobre uma babá que deixa a sua filha em casa e sai da periferia para cuidar de uma outra criança em um lugar chique da cidade.

Christopher Doyle, autor de “Porte de Choisy”, faz uma homenagem a uma célebre personagem francesa: Amelie Poulain, personagem de Audrey Tautou no filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, de Jean-Pierre Jeunet. Um dos mais dramáticos é o “Bastille”, de Isabel Coixet, sobre o marido que vai contar à esposa que quer o divórcio porque já tem uma amante, mas descobre que ela tem uma doença grave.

 

(continua no post abaixo)

 

O casal de mímicos em “Torre Eiffel”, de Sylvain Chomet, é para morrer de rir, e “Parc Monceau”, de Alfonso Cuaron, com Nick Nolte no elenco, para admirar um trabalho de direção impecável, com o filme feito em poucas tomadas.

Maggie Gyllenhaal estrela o curta “Quartier des Enfants Rouges”, de Olivier Assayas, e Elijah Wood é mordido por uma vampira no “Quartier de la Madeleine”, de Vincenzo Natali.

 

 

Outro destaque fica para o “Faubourg Saint-Denis”, quando a aspirante a atriz, vivida por Natalie Portman se apaixona por um rapaz cego (Melchior Beslon).

 

 

Gérard Depardieu dirige o seu filme mas também faz questão de aparecer nele: “Quartier Latin”. O curta fala sobre um casal que resolve acertar o divórcio em um encontro no restaurante, mas os dois começam a se alfinetar sem parar, dando aos espectadores lições de vida, humor negro e muita gargalhada.

“Paris, Te Amo” é uma verdadeira declaração de amor feita por cineastas franceses e estrangeiros, que apontam as suas lentes para mostrar o romantismo da cidade, mesmo que ela seja mostrada dentro de uma gráfica, de um cemitério ou de um apartamento. A parte lamentável é que pode ser um curta, não dá tempo de se envolver com o personagem, porque quando se percebe, já se está contando uma outra história na tela. Mas no geral trata-se de um bom filme, no mínimo uma bonita homenagem à Cidade Luz, que mostra não apenas os seus cartões-postais, mas também os locais onde as pessoas vivem, que pode ser tão comum, como a cidade de São Paulo.

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